Frequentemente nos deparamos os memes abaixo e suas variações.
A avaliação, na minha época de escola era sempre vista como certa ou errada. E as notas, ou conceitos atribuídos, eram supervalorizados. Afinal, que acerta sabe muito e quem erra não aprendeu nada.
Será mesmo?
Esse tipo de pensamento foi, e ainda é, muito presente no cotidiano de muitos professores e alunos da Educação Básica. E foi um tema que me incomodava muito durante a graduação. Tinha professores tão rigorosos a ponto de ignorar toda linha de raciocínio do estudante e simplesmente não pontuava a questão devido a troca de sinais ao final do cálculo.
Sim, eu sei que os resultados apresentados com a troca de posição de uma vírgula ou de um sinal, mesmo mantendo todos os algarismos. E sei também do impacto que isso pode ter em uma situação real - como na construção civil, ou na apresentação de dados estatísticos. Mas temos que ser tão rigorosos assim em sala de aula?
Minha chavinha começou a mudar quando iniciei o mestrado e acompanhei o desenvolvimento de algumas pesquisas que tinham como protocolo de avaliação respostas que estivessem totalmente certas ou totalmente erradas ou parcialmente certas. E o contato com esse tipo de avaliação impactou como eu agiria em sala de aula.
Em 2019 comecei a lecionar em uma turma de 5º ano, apenas com aulas de Matemática. Uma das minhas aflições naquele ano era como avaliar a aprendizagem do estudante nas provas oficiais do colégio, já que este seguia um sistema de avaliações trimestrais (duas avaliações por trimestre) e não levava em consideração outro tipo de avaliação para compor a nota final.
A questão abaixo fez parte da primeira prova que eu elaborei:
Essa questão tem muitos pontos a serem discutidos dentro do aspecto da avaliação em Matemática, como intencionalidade, qualidade e adequação à situação. Mas hoje quero chamar atenção para resposta que recebi de um de meus alunos da época. Ele preencheu todos os espaços com os arredondamentos pedidos, mas apenas com eles. Como assim?
Ele simplesmente colocou apenas as ordens arredondadas como pedido na questão, mas não o número completo após o arredondamento.
Prontamente eu não pontuei a questão, pois ele não tinha respondido como eu queria e aquele arredondamento que ele havia colocado não correspondia ao número pedido.
Passados alguns dias após a devolução das avaliações aos estudantes, a mãe desse menino solicitou uma reunião comigo e questionou o fato de não ter considerado o raciocínio da criança. ela concordava que a resposta não estava totalmente correta, mas achava injusto que todo o raciocínio tivesse sido desconsiderado.
De fato ela tinha razão. Concordei com ele, pontuei de acordo com o que ele tinha feito (mas não com o valor total) e depois disso revi minha postura como avaliadora e fiz várias adaptações às minhas avaliações. Não só de elaboração ou curadoria das questões que iriam compor a prova, mas em olhar atentamente aos rabiscos e raciocínios desenvolvidos pelos estudantes n hora da prova.
Outro dia volto aqui para contar um pouco mais sobre minhas experiências com avaliações dos estudantes e dos materiais utilizados em minhas aulas.
Mas quero deixar aqui uma reflexão:
"não sejamos tão pragmáticos quanto ao uso prático da Matemática. Lógico, não devemos normalizar pequenos erros, mas também não devemos demonizá-los a ponto de criar, ou alimentar, em nosso aluno a aversão à Matemática".